Trecho de "As Espiãs do dia D" - Ken Follet
DIETER FRANCK não sabia onde havia adquirido gostos tão refinados. Seu pai era professor de música, a única forma de arte em que os alemães, e não os franceses, eram os mestres absolutos. Mas Dieter não tinha a menor vocação para a aridez da vida acadêmica do pai e deixara a família horrorizada ao decidir entrar para a polícia, um dos primeiros universitários na Alemanha a fazê-lo.
Por volta de 1939 já chefiava o Departamento de Investigações Criminais da polícia de Colônia. Em maio de 1940, quando os tanques do general Heinz Guderian atravessaram o rio Mosa na altura de Sedan e abriram caminho de forma triunfal através da França até o canal da Mancha em apenas uma semana, Dieter cedera a um impulso e se candidatara a um posto no Exército. Em vista de sua experiência na polícia, imediatamente fora alocado na inteligência.
Falava francês fluente, além de um pouco de inglês, e por isso fora incumbido de interrogar os inimigos capturados. Tinha um talento especial para a tarefa e sentia um grande orgulho sempre que conseguia extrair alguma informação que contribuía para a vitória de seu país em alguma batalha. Sua eficiência chegara aos ouvidos de ninguém menos do que o marechal de campo Erwin Rommel, no norte da África.
Dieter não tinha nenhum pudor de recorrer à tortura quando julgava necessário, mas preferia dobrar seus interrogados com métodos mais sutis.
O major Dieter é uma antonista formidável, esperto, inteligente, sem escrúpulos, que sente dores de cabeça insuportáveis ao final de cada sessão de tortura e que pede perdão por torturar, quando entra em uma igreja, embora acredite que salva milhares d vidas alemãs. Seu destino é absolutamente imprevisível.

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