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Caio Cílnio Mecenas foi um influente conselheiro do imperador romano Augusto, nos anos 60 – antes de Cristo. Rico e integrante de um círculo de amizades composto de muitos artistas e intelectuais, ele começou a financiar poetas e pintores. O gesto rende ao termo “mecenato” uma longevidade de mais de 2 mil anos sem perder o sentido de designar atividade de incentivo, financiamento ou patrocínio de artistas. Claro que, hoje em dia, muitos endinheirados preferem empregar recursos em troca de incentivos fiscais, o que tem feito escassear os bons padrinhos, em detrimento de chover grandes ideias.
De uns anos para cá, os próprios portadores dessas grandes ideias, na falta dos tradicionais mecenas, têm recorrido a plataformas de financiamento coletivo, formadas por pessoas que se reúnem e doam pequenas quantias para pôr projetos de pé. Trata-se da boa e velha vaquinha, que levou à criação de firmas especializadas em organizá-las pela internet. O boom desse tipo de financiamento coletivo, conhecido como crowdfunding, se deu nos Estados Unidos, com o Kickstarter, em 2009. Um dos maiores sites do gênero até hoje, a empresa recebe projetos de todas as áreas, inclusive voltados apenas ao consumo. Até meados de outubro passado, 5 milhões de pessoas já tinham doado US$ 825 milhões para cerca de 50 mil projetos.
No Brasil, alguns sites movimentam um volume crescente de dinheiro e começam a colecionar “apoiadores de carteirinha”. O maior deles, o Catarse, lançado em 2011, atingiu R$ 10 milhões em doações no início deste segundo semestre. No primeiro ano, 14.992 pessoas apoiaram pelo menos um projeto no Catarse com doações de, em média, R$ 105. Em 2012, esses números saltaram para 37.264 pessoas com contribuição per capita de R$ 107. Este ano, quase 40 mil participaram, com uma quantia média de R$ 113 por doação.
A regra é simples: o realizador formata um projeto plausível, manda para o site de financiamento coletivo de sua escolha, a equipe do site faz uma seleção das propostas realizáveis e dá dicas para aumentar as chances de sucesso. Com o projeto no ar, é hora de executar o planejamento da campanha e espalhar na rede para engajar o máximo de pessoas. Geralmente, o realizador precisa explicar tintim por tintim para que quer o dinheiro, como vai usá-lo e os prêmios que os colaboradores vão ganhar caso a iniciativa seja financiada (ingressos, adesivos, livros etc.). Se isso não acontecer, todo o dinheiro volta para os doadores.
Em geral, os sites dão prazo para que os projetos fiquem no ar e não costumam cobrar nada para publicá-lo. O que fazem é ficar com um percentual (que varia de um site para outro) do valor arrecadado quando a ação é bem-sucedida.
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