quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Financiamento coletivo viabiliza ideias!


Rede Brasil Atual
Caio Cílnio Mecenas foi um influente conselheiro do imperador romano Augusto, nos anos 60 – antes de Cristo. Rico e integrante de um círculo de amizades composto de muitos artistas e intelectuais, ele começou a financiar poetas e pintores. O gesto rende ao termo “mecenato” uma longevidade de mais de 2 mil anos sem perder o sentido­ de designar atividade de incen­tivo, financia­mento ou patrocínio de artis­tas. Claro que, hoje em dia, muitos endinheirados preferem empregar recursos em troca de incentivos fiscais, o que tem feito escassear­ os bons padrinhos, em detrimento de chover grandes ideias.


De uns anos para cá, os próprios por­ta­dores dessas grandes ideias, na falta dos tradicionais mecenas, têm recor­rido a plataformas de financiamento cole­tivo, formadas por pessoas que se reú­nem e doam pequenas quantias para pôr projetos de pé. Trata-se da boa e velha vaquinha,­ que levou à criação de firmas especializadas em organizá-las pela internet. O boom desse tipo de finan­ciamento coletivo, conhecido como ­crowdfunding, se deu nos Estados Unidos, com o ­Kickstarter, em 2009. Um dos maiores sites do gênero até hoje, a empresa­ recebe projetos de todas as áreas, inclusive voltados apenas ao consumo. Até meados de outubro passado, 5 milhões de pessoas já tinham doado US$ 825 milhões para cerca de 50 mil projetos.

No Brasil, alguns sites movimentam um volume crescente de dinheiro e começam a colecionar “apoiadores de carteirinha”. O maior deles, o Catarse, lançado em 2011, atingiu R$ 10 milhões em doações no início deste segundo semestre. No primeiro ano, 14.992 pessoas apoiaram pelo menos um projeto no Catarse com doações de, em média, R$ 105. Em 2012, esses números saltaram para 37.264 pessoas com contribuição per capita de R$ 107. Este ano, quase 40 mil participaram, com uma quantia média de R$ 113 por doação.

A regra é simples: o realizador formata um projeto plausível, manda para o site de financiamento coletivo de sua escolha, a equipe do site faz uma seleção das propostas realizáveis e dá dicas para aumentar as chances de sucesso. Com o projeto no ar, é hora de executar o planejamento da campanha e espalhar na rede para engajar o máximo de pessoas. Geralmente, o realizador precisa explicar tintim por tintim para que quer o dinheiro, como vai usá-lo e os prêmios que os colaboradores vão ganhar caso a iniciativa seja financiada (ingressos, adesivos, livros etc.). Se isso não acontecer, todo o dinheiro volta para os doadores.

Em geral, os sites dão prazo para que os projetos fiquem no ar e não costumam cobrar nada para publicá-lo. O que fazem é ficar com um percentual (que varia de um site para outro) do valor arrecadado quando a ação é bem-sucedida.
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